sexta-feira, 15 de julho de 2011

UM AMOR EM TRÊS CAPÍTULOS - Vida 1

O ano de 1896 iniciara-se, o mundo ainda não sabia que migrava para a agitação do século XX. Ela, Maria Cândida, uma mulher a frente de seu tempo, bonita, elegante, filha bastarda de um aristocrata, adotada desde cedo pela madrasta, tirada de sua mãe, a quem nunca conheceu de fato. Rebelara-se e impunha sua forma expressiva de agir, que por vezes constrangia a família, discussões febris com os pais e irmãos eram uma constância em seu cotidiano. Ele, Afonso, um rapaz de origem humilde, estudou com auxílio de bolsas e ainda buscava reconhecimento na profissão que escolhera, médico, quando a Medicina dava seus primeiros passos.

Conheceram-se num baile elegante, na virada do ano, ela chamava a atenção em seu vestido vermelho. Era tão diferente das moças habituais, bebia champagne rodeada de rapazes que lhe satisfaziam as vontades. Ele aproximou-se e seus olhos jamais esqueceram o brilho do olhar que o enfeitiçou naquele momento. Ela rindo notou sua presença, por um pequenino instante seu olhar foi dele apenas. Depois voltou às risadas e a bebida, mas ele tomou coragem e a convidou para dançar. Não esperava, mas ela aceitou seu convite. Seus corpos flutuavam ao som da música e trocaram informações úteis, que o permitiram reencontrá-la.

Dias se passaram até que ele a convidasse para um café na Confeitaria Colombo, típico local onde a elite se encontrava, para o aconchego do cair da tarde. Conversaram animadamente, ela era tão crítica, falava sobre si e tinha opinião formada sobre tudo. Novos encontros aconteceram e um dia ela perguntou quando ele a levaria à sua casa, para que pudesse olhar os livros dos quais sempre comentavam.

O que aconteceu naquele dia, foi para ele o momento perfeito. O ambiente era sóbrio, o quarto era conjugado com a sala, uma cama, uma escrivaninha repleta de livros, uma cadeira ao fundo e as cortinas encobriam os últimos raios de Sol. Ela aproximou-se e um beijo sem pudor iniciou a cena de roupas retiradas às pressas, do toque suave dos seios no peito nu, as mãos percorrendo cada parte dos corpos, e a entrega da virgindade deixada nas marcas vermelhas do lençol.

Muitos encontros aconteceram até o momento em que ela no mesmo quarto, na mesma cama, depois de todo prazer que desfrutaram comunicou-lhe o noivado com um rapaz que conhecera antes dele e que estava em outro país terminando os estudos. O choque foi fatal, uma discussão intensa sobre motivos e apelações insanas, encerraram o caso para ela, mas que para ele era bem mais que isso, era amor.

O casamento aconteceu no ano de 1896, no mês de maio e reuniu a mais alta sociedade local. O primeiro dos desastres amorosos, o caso descoberto por ela, já acontecia há dois anos, ele mantinha uma amante desde antes do enlace e assim o casamento acabou.

Casou-se mais duas vezes, e sempre o mesmo final trágico. O último relacionamento findou quando ela tinha 35 anos, o que para a época já era idade de senhora, e a moça, a amante, tinha apenas 18 anos e estava grávida, foi uma tragédia, para uma mulher que tantas vezes tentara engravidar sem sucesso. O fracasso havia se estampado em sua face, deprimida, seis meses depois perdera o pai.

Ele levava uma vida plena, médico sanitarista, no início do século, tantas obrigações e as mazelas humanas saltitavam a sua volta. Clinicava em tantos lugares, e seu trabalho era sua vida. O Dr. Afonso era excepcional e todos sempre se perguntavam o porquê dele nunca ter se casado. Ele sabiamente respondia que o trabalho o absorvera tanto que não havia sobrado tempo.

Ficou perplexo, quando soube que Maria Cândida se despedira da vida, no dia em que completou 36 anos, com um veneno tomado numa linda taça. Mesmo assim aquele amor nunca se dissipou e ele quando faleceu aos 65 anos, ainda guardava na escrivaninha antiga, uma foto envelhecida dos dois amantes, numa tarde de fim de verão, foi sua última visão antes de cair no sono profundo da morte.

5 comentários:

Bixudipé disse...

Perfeito! Gostei demais, viu!

Abração.

Vinicius.C disse...

Rs que delicia chegar e ler o amor!

Que você consiga mesmo que em preto e branco confessar o amor.

Um beijo enorme e um ótimo fds!

Nos encontramos no Alma!

vini

Jasanf disse...

Maravilhoso seu texto!

Maria Alice Cerqueira disse...

Ola querida amiga
Estou na final da ostra poesia, me desculpe por mais uma vez vir lhe pedir votinho para a minha poesia, Precisamos. Mas sem a sua ajuda eu não irei conseguir. Prometo que passando esta fase eu virei comentar apenas sobre o conteúdo de seu cantinho.
Como votar você entra no link …http://ostra-da-poesia-as-perolas.blogspot.com/
No final da pagina das poesias esta escrito
VOTE CLICANDO NA PALAVRA COMENTÁRIOS Lindalva 1 comentários
Por favor coloque coloque o nome da autora e da poesia, ( Precisamos ... Maria Alice Cerqueira e o nome do seu blog. para que Lindalva possa confirmar seu voto.
Desde já lhe agradeço de coração.
Tudo do melhor para você.
Abraço amigo
Maria Alice

Alê disse...

Só uma frase martela na minha cabeça nesse instante:

"a dúvida é o preço da pureza, e é inútil ter certeza"


Não sei pq, mas só consigo pensar nela =S

bjssssssssssss