sexta-feira, 3 de junho de 2011

Classes de Palavras

Estou num momento estranho. Tenho ultimamente pensado no quanto desperdiço minha energia levando uma vida regrada. Necessito transgredir: beber mais doses de Amarula, fazer sexo selvagem sem me importar com o dia seguinte, comprar mesmo sem ter grana o suficiente estourando assim meu orçamento, xingar alguns palavrões em público, dizer ao chefe em alto e bom som que não vou naquela reunião chata, cheia de gente insensata e, que além de não acrescentar nada, ainda me faria ter enjoo.

Estou mesmo zangada com a minha escassa paciência para suportar o mal humor alheio, gente que levanta toda manhã com apenas dois verbos: "Reclamar e Agredir". O trabalho não me paga como merecia, mas se pagasse, ainda assim não seria o suficiente; não tenho namorado, mas se tivesse não seria o amor da sua vida; depender de condução pública é um suplício, mas se tivesse carro, certamente desejaria um carro melhor; nada nunca será suficiente, afinal o verbo é "Reclamar".

E aí vem o pior, não entendo por que o fulano está sempre disposto, só faz esses projetos para aparecer; nossa o namorado da beltrana é horrível, Shrek perto dele é um príncipe; viu o novo carro do Sicrano, todo orgulhoso, se eu fosse comprar um carro seria um importado, popular nacional, prefiro andar de ônibus; o verbo  aqui usado é o "Agredir", maledicência é uma forma de agressão e das piores.

Os verbos têm como seus fiéis aliados, os substantivos: desculpas, inveja e  maledicência. Desculpas: o salário é pequeno então não trabalho com vigor; sou mal humorada porque meu namorado ou marido me trocou por outra; chego atrasada porque dependo do transporte coletivo. Invejas: do projeto, do relacionamento, do carro e sei lá do que mais, afinal os substantivos também podem ser "verbificados", portanto cabe "Invejar" e "Maldizer".

Tenho tentado nos últimos tempos me encaixar, mas não consigo agir conforme os padrões vigentes: trabalho independente do salário, se meu namorado me traiu não considero as pessoas ao meu redor culpadas disso, não me importa se meu carro não é importado e, falando a verdade só invejo mesmo quando algum amigo faz aquela viagem que não pude fazer, mas não desejo que o avião caia, afinal quero receber a lembrancinha que com certeza trará para mim.

Quanto a maledicência, não sou nenhuma santa, mas só emplaco em assuntos desse tipo, se o "alvo" for algum desafeto.

O que quero mesmo dizer é que não consigo viver desse jeito, fazendo-me de "coitadinha de mim". Vou parar de vez de tentar me adaptar e apossar-me de uma outra classe de palavras, os injustiçados adjetivos:
                  "Insensata", "Excêntrica", "Louca".

8 comentários:

Morgana disse...

Oi Catia, eu também estou nesse processo rsss, viver de uma forma diferente, acho muito válido, afinal temos o direito de fazer diferente para que as coisas também aconteçam de uma forma diferente
Beijos pra ti e um lindo dia!

Ma Ferreira disse...

Rosivar..
Não temos que seguir o rebanho.
Não temos que entrar na energia do outro, que muitas vezes é negativa.
Hj sou um pouco mais egoista. Não aquele egoismo ruim, não esse.
Mas penso no meu bem estar.
Lutei tanto para conseguir ficar bem, terapia, trabahlo voluntario, espiritualidade, a minha arte..Não é justo que eu entre na energia negativa do oytro.
Acabo me afastando..mas precisamos ser pacientes.
E tentar aceitar ( o que não é tão facil assim ),o outro da nmaneira que ele. é.
Mas não absorver o negativismo.
Um beijo..parabéns pela sua escrita!
Ma Ferreira

Anônimo disse...

Rosivar, use sempre as palavras as quais vc possa suportar e vivenciar sem se machucar. Seja feliz , Janete.

Jasanf disse...

Rosivar, você conseguiu se superar cada vez mais a partir desse texto: a ruptura das classes de palavras para solfejar a própria palavra. Nada é mera coincidência, visto que harmônicamente há uma metalinguagem por trás desses acontecimentos. Tudo é perfeito!

Aline disse...

Que lindo texto! Fiquei encantada! Hoje é muito difícil lidar com pessoas que só sabem invejar e prejudicar quem está ao seu redor, e que ainda colocam a culpa nas suas vítimas. Ser diferente disso é, quase, andar na contramão, mas cada um emprega as palavras que melhor lhe convém...

Rosivar Marra Leite disse...

Obrigada amigos de letras!
Brincando com as palavras tento dar o meu recado!
Bjim no coraçao

Wanderley Elian Lima disse...

É pura verdade. Vivemos o tempo todo reclamando de tudo. Parece que nunca estamos satisfeitos com nada, mas mesmo assim acabamos nos conformando com a rotina e jogando nos outros a culpa por nossas frustrações.
Bjux

Reflexos Espelhando Espalhando Amig disse...

Querida, na verdade é uma fase.
Todps passamos por elas. Apenas nos cabe
poupar a vida e a saude.
A vida é simples, somos nós qu a complicamos.
Um dia me chamaram de acomodada, achei que era bom. Passadas algum tempo de reflex
ao, muito puta da vida percebi que não era acomodada coisa nenhuma.
Mas tive a certeza que tudo se deve aminha atitude de viver um dia d ecada vez
e de sempre
fazer as coisas do meu jeito, foi assim que comecei a viver entre sonhos e delírios
Passa aqui pra pegar um selo pra voce
e pra conhecer esse espaço, que vale a pena.
http://reflexosespelhandoespalhandoamigos.blogspot.com/2011/05/de-volta-casa-parte-iii.html

Bjins entre sonhos e delírios